Tratamento cirúrgico da hemiparesia espástica

TRATAMENTO CIRÚRGICO
 

Objectivos

A cirurgia pretende ser um tratamento definitivo.



Os objectivos são melhorar a posição do membro e a sua função. A melhoria da posição também condiciona uma melhoria na estética do paciente.



A cirurgia será multinível, isto é, em todos os níveis da extremidade para melhorar todos os problemas numa única cirurgia (cotovelo, antebraço, punho, etc.).


Idade

A idade ideal para começar o tratamento cirúrgico é a partir dos 6-8 anos


Técnicas cirúrgicas

Dada a heterogeneidade dos pacientes, não é possível fazer uma recomendação de tratamento geral nestes pacientes.

Melhorar a extensão do cotovelo

Melhora o alcance da extremidade do paciente. Também melhora o aspecto estético já que a flexão do cotovelo é chamativa durante a marcha


Técnica: alargar a musculatura flexora do cotovelo (Figura 10).
 

fig.10 parálisis cerebral
Figura 10. Paciente com deficit de extensão do cotovelo. Selecção de um
dos músculos flexores do cotovelo para seccionar-lo e melhoria da extensão (estirar o cotovelo).

Melhoria da supinação


No dia a dia é mais importante a pronação (palma da mão orientada para baixo) que a supinação pois a maioria das actividades de vida diária é feita em pronação. (Ex. Uso teclado ordenador). Se é possível melhorar a supinação, esta facilitará actividades como a higiene diária (lavar a cara) ou levar uma bandeja.


Técnica: Alargamento dos músculos pronadores ou modificação do seu trajecto para convertê-los em supinadores (“rerouting pronador”) (Figura 11 ).
 

 fig. 11 parálisis cerebral 
Figura 11. Paciente com deficit de supinação (girar a palma para cima) por
uma paralisia cerebral com hemiparesia direita. Melhoria da supinação
após o alargamento da musculatura pronadora.


Melhoria da extensão do punho

A extensão do punho é necessária para uma melhor aquisição dos objetos (pois a mão caída interpõe-se entra a visão e o objecto) e maior força em agarrá-los.


Técnica: Alargar a musculatura flexora ou transferir músculos flexores para os extensores (transferência muscular) (Figura 12 ).
 

fig.12 parálisis cerebral
Figura 12. Paciente com dificuldade para estender o punho. Realiza-se
uma transferência de um tendão para dar mais força à extensão e melhorar a força em agarrar os objectos.


Melhoria de separação do polegar


A separação do polegar é fundamental para a manipulação de objectos entre os dedos e o polegar.


Técnica: alargar os músculos da palma ou mudar o trajecto de músculos para torná-los separadores (rerouting) (Figura 13 ).
 

fig. 13 parálisis cerebral
Figura 13. Paciente com dificuldade para separar o polegar. Realiza-se um
alargamento da musculatura do polegar (para cima e para a direita) e um rerouting de tendões (abaixo).


Resultados

O mais complicado no paciente com PC é a eleição da técnica cirúrgica a realizar. Isto é devido à heterogeneidade destes pacientes. A estratégia será individualizada. É preciso avaliar múltiplas vezes o paciente antes de tomar uma decisão.
Com uma boa selecção do paciente conseguiremos melhorar a função da mão e a capacidade de realizar actividades de vida diária. Por outro lado, a melhoria na posição da extremidade, conduzirá a uma melhoria estética no paciente e um aumento da sua autoestima (Figura 14).


Figura 14. Imagem relevando “antes e depois” da cirurgia e terapia ocupacional. Melhoria da função da mão com aumento da capacidade para realizar actividades de vida diário como utilizar os talheres, cortar ou apertar com um nó os cordões dos sapatos.

O Dr. Francisco Soldado é especialista em problemas nas extremidades superiores das crianças e na reconstrução com técnicas microcirúrgicas das extremidades das crianças.

Em seus esforços para aperfeiçoar estratégias e técnicas de tratamento, ele colaborou com vários centros de referência em todo o mundo.

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